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Grama: 17 mitos e verdades
Texto: Juliana Farano

Por ser um tipo de vegetação utilizado largamente no mundo inteiro, muita gente acha que é simples ter um gramado em casa e que ele exige poucos cuidados. Mas a verdade é que existem dezenas de espécies diferentes, e cada uma tem características muito particulares. A Casa & Construção conversou com profissionais especialistas no assunto e descobriu até onde vão os mitos que cercam esse tema.

1 Não pise na grama!

O problema está no grau de pisoteio. O trânsito excessivo deixa a terra compactada e dificulta o crescimento das raízes. No entanto, não precisa correr para tirar as crianças do gramado. De acordo com o paisagista Alexandre Galhego, basta usar espécies mais resistentes, como a zoysia, a esmeralda e a tifton. "Mesmo assim, é preciso tomar cuidados extras em espaços pisoteados: preparo do solo, adubação e irrigação", afirma. Agora, se o seu jardim é forrado por grama preta, pode providenciar a plaquinha de "proibido pisar na grama". Esse tipo não resiste nem aos pezinhos mais delicados.

2 A urina dos cachorros deixa a grama amarelada.

A urina dos cães tem uma concentração alta de uréia. Cada vez que eles fazem xixi na grama, despejam uma quantidade enorme de nitrogênio. Esse elemento, por ter uma acidez elevada, queima qualquer espécie, deixando-a com um tom amarelado. "Além disso, essa substância pode alterar a composição química da terra, prejudicando o desenvolvimento do gramado e de outras plantas", explica o paisagista da Flamboyant Paisagismo, Edu Bianco. A solução para quem não abre mão dos bichinhos é adestrá-los para que urinem em um local delimitado.

3 A urina das fêmeas prejudica mais do que a dos machos.

A verdade é que os cachorros costumam urinar pouco e, geralmente, em locais variados para marcar território. Já as fêmeas urinam em maior quantidade de uma só vez e em um só lugar. "Assim, o estrago que elas fazem acaba sendo mais perceptível, mas o prejuízo, no fundo, é o mesmo", afirma Teodoro Marques da Costa, paisagista e produtor de plantas ornamentais da Mercado Verde.

4 A grama não precisa ser regada, só a chuva já é suficiente.

Todas as plantas, com exceção das desérticas, têm necessidade de regas periódicas. Com as espécies gramíneas não é diferente. "Alguns tipos, como a batatais e a chiva, até podem sobreviver, mas ficarão prejudicadas", conta Galhego. Ou seja, o gramado pode até resistir, mas para que seja bonito e uniforme, é necessária uma irrigação adequada. Além disso, é importante lembrar que em algumas regiões nem todas as estações do ano contam com um índice pluviométrico satisfatório.

5 A grama pode tirar as forças de outras plantas ao redor.

Na natureza ocorre uma competição por nutrientes, luz e água. Isso acontece com todos os tipos de plantas. No entanto, de acordo com os especialistas, não há como afirmar que a grama é que tira as forças de outras espécies. Ela só atrapalha se entrar no meio de plantas que têm por característica brotação em suas bases, como as moreias, por exemplo. "Com uma adubação regular e de qualidade, a vegetação pode conviver tranquilamente", afirma Costa.

6 Qualquer tipo de grama necessita de sol.

Mas nem todas suportam o sol pleno. Algumas espécies são apropriadas para a sombra, como a preta, a santo agostinho e a são carlos. Já outras dependem completamente do sol, como a esmeralda e a batatais. Algumas variedades podem adaptar-se e sobreviver em condições de meia sombra. "Ainda assim, elas precisam de pelo menos 50% de luminosidade, ou ainda um mínimo de quatro horas de sol diárias", explica o engenheiro agrônomo Mauricio Ercoli Zanon, responsável pela produção da Itograss. O segredo é escolher o tipo de grama de acordo com a incidência de luz solar do local.

7 Não é possível ter áreas internas com grama.

Áreas internas não significam necessariamente áreas sem iluminação solar. Portanto, se o espaço tiver uma incidência de luminosidade natural, dá para ter grama sim. A dica é buscar variedades mais tolerantes à sombra, como a são carlos, a santo agostinho ou a preta, e realizar corretamente a manutenção do solo e a irrigação.

8 O clima da região interfere na vida da grama.

Na hora de planejar um gramado, procure espécies que se adaptem ao clima local. Zanon lembra que hoje em dia é ainda mais fácil encontrar tipos apropriados para condições climáticas extremas, com muito frio, ar seco ou muito calor. "Temos produções de grama cultivadas em quase todos os estados", diz. Escolhendo a grama correta, preparando o terreno de maneira adequada e irrigando e adubando periodicamente, é possível ter um gramado saudável em qualquer lugar.

9 Um bom gramado só se mantém quando ocorre a mescla de várias espécies.

Alguns profissionais indicam mesclas como garantia de qualidade e durabilidade, mas, de acordo com Galhego, esse é um procedimento mais indicado para campos esportivos. "Misturam-se tipos que crescem durante o inverno com outros que se desenvolvem melhor no verão para que os gramados durem o ano inteiro, mesmo sob forte pisoteio", diz. Para áreas residenciais, isso não é necessário. Com os cuidados adequados e com a escolha de uma espécie apropriada para as condições climáticas da região, o resultado será satisfatório.

10 A grama atrai fungos em áreas úmidas.

Realmente as áreas muito úmidas são propícias para a proliferação de fungos, mas isso independe de estarem cobertas por grama. O que ocorre é a soma de diversos fatores, como a alta umidade e a variação de temperatura. É importante verificar sempre a área gramada para detectar o problema o quanto antes. Assim que descobertos, os fungos deverão ser tratados por um profissional especializado, que irá aplicar os produtos indicados para solucionar a questão sem prejudicar o desenvolvimento das plantas.


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