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Casa foi elevada sobre pilotis de 2 m de altura para driblar as cheias do rio, ganhar conforto térmico, reduzir custos da obra e não interromper as raízes das árvores nem o desenvolvimento da fauna local. |
"O objetivo principal do projeto foi possibilitar a integração dos moradores com a natureza, buscando o respeito ao meio ambiente por meio de soluções arquitetônicas criativas"
Depois de percorrer diversos países em busca das ondas, um casal apaixonado por surfe e pelas maravilhas da natureza resolveu se estabelecer no litoral norte de São Paulo. A idéia era morar perto do mar, associando trabalho e qualidade de vida, de uma forma econômica e simples, sempre respeitando o meio ambiente.
Assim, eles chegaram aos arquitetos Carlito Colhado e Renata Pascucci, que costumam assinar projetos que aliam sustentabilidade e criatividade. O resultado foi exatamente o que os proprietários desejavam: um bangalô suspenso no meio da mata para levar a vida de forma simples e econômica.
A casa localizada em um terreno envolto pela Mata Atlântica ganhou estrutura de madeira feita com eucalipto proveniente de reflorestamento e elevação em palafitas por conta do rio Bracaia, que tem o nível elevado em épocas de chuva forte. Já a natureza do entorno permaneceu intacta e não foi derrubada uma árvore sequer.
A vegetação foi preservada e rasga o deque e o telhado em alguns pontos, como se fizesse parte da arquitetura. "A casa marcou o início de uma nova fase para nós, como arquitetos, onde o respeito ao meio ambiente é feito não só por modismo social, mas pela necessidade da vida moderna em preservar o futuro", afirma o profissional.
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No pavimento inferior, com exceção do lavabo, os espaços são unidos, delimitados apenas pelo mobiliário, dando uma sensação maior de amplitude. Para conseguir esse resultado, os profissionais projetaram um único pilar central estrutural e dispensaram as paredes. No piso foi utilizado o cimento queimado branco, revestimento escolhido levando em consideração o baixo impacto ambiental. |
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O dormitório das crianças, apelidado de "quarto do Tarzan", segue a mesma linguagem do restante da residência. O piso de cimento queimado acentua a rusticidade do projeto. Os desenhos nas paredes são de autoria da proprietária. |
Elevar para preservar
Antes de dar início à elaboração do projeto os arquitetos tiveram o cuidado de fazer uma análise topográfica da região. "Dessa forma, pudemos determinar a localização exata de todas as vigas e pilares para pouparmos toda a vegetação local", conta Carlito. Depois, puseram-se a estudar os problemas que poderiam surgir por conta do aumento de nível do rio que passa ao lado.
E chegaram a duas soluções: aterrar o lote ou elevar a casa em palafitas. Seguindo a linha ecologicamente correta que permeia o projeto, optaram pela segunda. Ao contrário do aterro, que acaba matando as raízes das plantas, as palafitas mantêm toda a vegetação natural e ainda afasta a casa da umidade do solo e dos perigos de inundação.
Para executar a elevação, os profissionais trabalharam com a fundação do solo, que era bem arenoso e com uma solidez boa para suportar a estrutura. "Contratamos um engenheiro civil para definir qual era a melhor saída para a execução do alicerce e ficou acertado que seria um sistema de sapata corrida e brocas de travamento", conta Carlito. Depois, os especialistas subiram pilaretes de concreto para, logo acima, apoiarem os pilares de madeira da varanda. "Para a casa, fizemos uma laje e colocamos pinos metálicos de travamento e travas de concreto armado para acentuar a sustentação", diz.
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