
Levando em conta a beleza, as cores, os formatos e os perfumes, muitas pessoas acabam optando por plantas que, literalmente, não cabem no espaço destinado ao jardim e o resultado acaba sendo, muitas vezes, catastrófico. Uma das questões que deve ser analisada com muito critério é o tamanho que as raízes das espécies podem alcançar. Tudo para evitar gastos desnecessários e aquela desagradável dor de cabeça.
Segundo o arquiteto paisagista Sérgio Santana, de São Paulo, algumas árvores de florestas densas vêm sendo utilizadas em projetos paisagísticos. “Elas são ornamentais, mas é necessário o máximo de cuidado ao utilizá-las perto de construções, pois são vigorosas e podem causar problemas às estruturas a médio e longo prazo.” Ele ainda alerta que o problema pode ficar mais grave, já que as raízes podem danificar as instalações subterrâneas de gás, água, e telecomunicações
Dentre as ‘perigosas’, o profissional cita figueira (Ficus benjamina), xixá (Sterculia chicha), pau-ferro (Caesalpinia ferrea), guapuruvú (Schizolobium parahyba) e flamboyant (Delonix regia), pois contam com raízes tubulares que ampliam a base da planta, para garantir mais estabilidade. “O flamboyant, por exemplo, por possuir uma bela florada é escolhido por muitas pessoas que não sabem o estrago que ele pode causar”, atesta a paisagista Annuska Mendes, de Goiânia, GO.
Antes de optar pelas espécies, o mais aconselhável é pedir consultoria a um especialista da área. De acordo com a arquiteta paisagista Pedrinha Parisi, também da capital paulista, é possível prever o tamanho das raízes com base na copa das árvores, que são relativamente proporcionais.
Os problemas
De acordo com Santana, quando essas espécies são inseridas próximas a piscinas e a espelhos d’água, as raízes que vão se desenvolvendo acabam pressionando as laterais dessas construções, deformando as paredes e danificando a impermeabilização, o que pode provocar vazamentos. “Elas também podem penetrar em pequenas fissuras nas paredes das edificações e, com o passar do tempo espalham-se, criando rachaduras que podem comprometer a estrutura, o que se agrava com a infiltração da água”, complementa o profissional.
Mais espécies a evitar
Fícus (Ficus benjamina), falsa-seringueira (Ficus elastica), alfeneiros (Ligustrum vulgare), chorão (Salix babylonica), eucalipto (Eucalyptus spp), casuarina (Casuarina sp) e grevilha (Greevilha robusta) são algumas das espécies que devem ser evitadas em locais pequenos. “Entre as frutíferas, a mangueira (Mangifera indica) também não deve ser plantada em lugares reduzidos, já que suas raízes são invasoras”, complementa Annuska.As floreiras e as jardineiras suspensas construídas sobre as lajes de edifícios e residências também costumam apresentar problemas. “Para se ter uma idéia, existem espécies que perfuram e inutilizam todo o sistema de impermeabilização, danificando completamente as tubulações de drenagem do jardim”, conta Pedrinha.
As floreiras e as jardineiras suspensas construídas sobre as lajes de edifícios e residências também costumam apresentar problemas. “Para se ter uma idéia, existem espécies que perfuram e inutilizam todo o sistema de impermeabilização, danificando completamente as tubulações de drenagem do jardim”, conta Pedrinha.
Sempre atento!
Não são apenas as raízes agressivas de determinadas plantas que podem causar danos à construção. De acordo com o engenheiro agrônomo e paisagista Alexandre Galhego, de Campinas, SP, a caducidade foliar, queda de folhas, é outro problema comum, já que pode entupir drenos, ralos e calhas, acumulando-se em locais indevidos, provocando mau cheiro e deixando pisos escorregadios.
“Outro cuidado importante é evitar espécies de frutos grandes e pesados em áreas de estacionamento ou de grande fluxo de pessoas, para prevenir acidentes. Por isso, sapucaia (Lecythis ollaria), paineira (Chorisia speciosa), jaqueira (Artocarpus integrifolia) e abacateiro (Persea americana) devem ser evitados.”
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