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Reportagens

Terrenos acidentados
Criatividade para integrar
O terreno em declive levou a equipe de arquitetos a projetar uma casa com ambientes em sete níveis diferentes e, mesmo assim, integrados

Texto: Regina Santos Fotos: Pedro Abude


NA FACHADA, foram usados tijolinhos claros aparentes, textura grafiato bege e madeira jequitibá rosa envernizada nas portas e janelas. As telhas são de concreto marrom e a tesoura frontal aparente remete ao estilo neocolonial. nos pisos dos acessos externos, foram usados cubos de granito rosado, na porta principal e área dos carros, e cacos de pedra são tomé entremeados por grama. À primeira vista, a casa parece térrea, uma conseqüência do aproveitamento do terreno em declive.

Vista da rua, a casa pode ser considerada simples. Na fachada, tijolinhos claros aparentes e textura grafiato bege combinam com as portas e janelas de madeira e com as resistentes telhas de concreto marrom. E é bem no telhado que começa a se revelar sutilmente o diferencial: ficam expostas partes dos diferentes níveis da residência. Os proprietários adquiriram o terreno que tem declive de 16 m nos fundos. Depois de pesquisarem diferentes propostas, delegaram à equipe do escritório Arch Arquitetura o desafio de erguer uma casa que aproveitasse essa característica natural. O resultado: três pavimentos que somam 430 m² voltados para a piscina e uma exuberante área de lazer com pomar e jardim que ocupa os 1.300 m² restantes do lote.

DA FACHADA POSTERIOR DA CASA é possível perceber os vários níveis criados e o aproveitamento do lote. À esquerda, há um caminho para que os veículos possam aproximar-se da área da cozinha para descarregar as compras e, também, da área de lazer para que os convidados não precisem descer pelo interior da residência. na fachada, uma grande esquadria de madeira com vidros, que faz o acesso ao interior, dá a dimensão do pé-direito interno.

A ESCADA DE CONCRETO recebeu revestimento de madeira cumaru. Tábuas horizontais da mesma madeira foram usadas como guarda-corpo. Toda recortada, ela faz o acesso entre os sete níveis. A cada oito degraus, chega-se a outro nível da residência.
O PÉ-DIREITO de 10 m não deixa menos aconchegante o ambiente de estar. A cortina de tecido suaviza a entrada da luz natural. Em destaque, a lareira feita de alvenaria com acabamento de textura grafiato e frisos lisos, que acompanha a altura do pé-direito.

AS SALAS DE ESTAR E JANTAR são divididas por um guarda-corpo de madeira e desnível de 1,40 m. A solução dá uma sensação de interação entre os ambientes. Para ambas, foi escolhido o piso de porcelanato polido branco 50 x 50 cm e rodapé de 20 cm de madeira. No nível abaixo, está a sala de jogos.

"O projeto toma partido da declividade do terreno, integrando a casa em vários níveis. Um terreno irregular é sempre um excelente começo para um projeto bem sucedido", traduz um dos autores, o arquiteto Welton Nahas Curi. Os três pavimentos foram subdivididos em sete níveis, para vencer os espaços sem caracterizar andares. Uma sala de estar com pé-direito de 10 m permite a visualização de quase todos ambientes.

Os 172 m² térreos contam com garagem para três carros, hall de entrada, escritório, lavabo, duas suítes e roupeiro no primeiro nível. No segundo, oito degraus acima, o quarto do casal com closet recebeu piso laminado de madeira clara e paredes marfim.

A ADEGA DE MADEIRA imbuia foi instalada em local estratégico: aproveitando o espaço embaixo da escada, aterrada e protegida externamente por muros de arrimo. Todos os nichos foram feitos sob medida para o armazenamento correto dos vinhos e das demais bebidas.

Ao ultrapassar a porta de madeira jequitibá rosa, o hall de entrada permite a visualização de todos os níveis da casa e da paisagem privilegiada dos fundos do terreno. As áreas sociais mantiveram acabamentos claros, como o piso de porcelanato polido branco 50 x 50 m e madeirados como os rodapés de 20 cm.

No primeiro pavimento inferior, os 122 m² dividem-se em home theater com ampla varanda e vista para os fundos, no terceiro nível. Do home theater, é possível ir direto à piscina, por meio de caminhos no jardim, ou descer oito degraus para chegar ao quarto nível, que abriga sala de jantar, lavabo, cozinha, despensa, área de serviço e suíte de empregados.

PONTO CENTRAL DA CASA, a sala de estar integra todos os ambientes da casa e faz o acesso à área de lazer. O pédireito triplo faz com que o espaço seja visto de praticamente todos os outros cômodos. Uma grande esquadria de madeira fechada com vidro integra visualmente os espaços externos e internos. A proposta é ampliar o ambiente, aproveitar a iluminação e a ventilação naturais, aumentando a sensação de bem-estar. O PANO DE VIDRO da sala de estar mede 21,42 m² (3,40 x 6,30 m) e se abre para a área externa da casa. A madeira cumaru dá mais resistência à estrutura. Um caminho com dormentes de madeira rústica conduz os moradores ao espaço de lazer coberto e à piscina. Ao fundo, é possível avistar a escada, que se transforma em mais um elemento de destaque.

O JOGO DOS TELHADOS, com águas com inclinação de 30º e tesoura de madeira aparente, mostra as subdivisões dos espaços. No topo, está a chaminé da lareira da sala de estar posicionada ao centro da casa. O bar integra as áreas de lazer interna e externa.

Mais oito degraus e se chega ao quinto pavimento, onde estão sala de estar, bar e adega. Dali é possível descer mais um nível pela escada interna que leva ao salão de jogos, churrasqueira, saunas e demais ambientes de lazer internos. Do sexto nível, há um acesso à área de lazer externa, localizada no sétimo.

Para chegar ao resultado proposto, a obra seguiu o curso tradicional. Depois do levantamento topográfico, foram desenvolvidos os projetos arquitetônico, estrutural, elétrico e hidráulico e a obra pôde ser iniciada. Todos os detalhes foram definidos com os proprietários.

NA ÁREA DE LAZER COBERTA, de 96 m² foram instalados churrasqueira, fogão a lenha e forno de pizza, revestidos com tijolos aparentes palha. O espaço integra- se ao salão de jogos, saunas, vestiário, piscina e jardim. No piso, foi usada cerâmica bege 40 x 40 cm e nos tampos, granito branco aqualux.

A casa possui sistemas de condicionamento de ar e de aquecimento de água a gás, conjugado com solar. O profissional explica que as tecnologias escolhidas e a distribuição dos espaços condizem com o espírito jovem, arrojado e inovador dos donos da casa.

NO ENTORNO DA PISCINA, foi usada a pedra são tomé branca e madeira ipê. O deque em balanço amplia a área de banho de sol, tirando proveito do desnível do terreno. Com a solução, a declividade do lote não impede que a piscina esteja no mesmo plano que os demais ambientes de lazer. A estrutura de madeira que suspende o deque permite também uma melhor vista dos fundos do terreno, onde há jardins e pomar.
A PISCINA RETANGULAR com uma projeção arredondada e pontos de hidromassagem tem 30 m² de área e é de alvenaria. O revestimento de pastilhas cerâmicas - azul-claro e escuro 5 x 5 cm - forma um desenho curvo no fundo que ganha mais destaque quando avistado dos andares superiores. Borda e piso do entorno são de pedra são tomé branca.

Confira quem fez

Projeto: Arch Arquitetura, Consultoria e Construções Ltda - Welton Nahas Curi, Karen Dal Bello Dias e Thais Reinaux Curi
Obra: J.A. Baggio Construtora
Iluminação: Planta Baixa Iluminação
Mármores: Bordgran Marmoraria
Esquadrias, madeiramento e forros: Marcenaria Santanna
Móveis planejados: Studio Mobili
Paisagismo: Verde Vida Paisagismo