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Longe do sol
Ideais para ambientes que não dispõem de muita luz, as plantas de sombra e meia-sombra garantem um belo jardim. Aposte nelas

Texto: Fernando Marcelino

Belas por natureza, as plantas específicas para ambientes de sombra são a grande solução para quem dispõe de um espaço não tão agraciado pela luz do sol, mas que deseja ter uma área verde. De acordo com a arquiteta paisagista Daniela Sedo, estas espécies normalmente não atingem mais do que 2 m de altura e raramente florescem, mas mesmo assim têm inúmeros encantos. "Algumas, após atingir a idade adulta, suportam ou apreciam mais a claridade e os raios solares diretamente e, por este motivo, também podem ser utilizadas em locais que recebam até quatro horas de sol direto. Nessa fase, elas chegam a florescer e podem passar dos 2 m."

Daniela explica que a manutenção destas plantas não requer muitos cuidados, o que é ótimo para quem não tem muito tempo disponível, mas quer um jardim impecável sempre. "Não é preciso regá-las constantemente e as folhas são resistentes e duráveis, demorando a secar. Além disso, existem algumas espécies cujas folhas são naturalmente brilhantes e que necessitam de menos adubo, apesar do solo indicado ser especial e bem drenado", comenta a profissional, que cita a pata-de-elefante (Beaucarnea recurvata), o pacová (Philodendron martianum), os lírios (Neomarica spp) e os antúrios (Anthurium sp), como principais e mais comuns representantes desta espécie de planta, assim como a zamioculcas (Zamioculcas zamiifolia), originária da Tanzânia, na África, que se adapta muito bem a ambientes internos, e o bálsamo (Sedum dendroideum).

A arquiteta paisagista Christiane Ribeiro diz que uma boa dica para cultivá-las é observar a natureza e criar as mesmas condições nos jardins e nos vasos. "No caso das plantas tropicais, é preciso colocar bastante matéria orgânica decomposta, como todo tipo de esterco, húmus, lixo orgânico decomposto e folhas trituradas, atentando para a drenagem, pois o substrato deve ser poroso e nunca ficar encharcado."

Entretanto, alguns pontos devem ser observados no momento da aquisição. Segundo Daniela, deve-se verificar se há pragas, como cochonilha, pulgões e fungos, que podem ser vistos na coloração amarelada da folhagem ou ainda pelo odor proveniente da terra. "Também não se deve comprar plantas que estiverem com a raiz aparente. O correto é o solo estar bem soltinho, cobrindo-a totalmente." Christiane complementa e lembra que é preciso estudar o espaço que receberá as espécies, para verificar se as plantas desejadas realmente cabem ali, evitando contratempos.

Rodolfo Geiser

Localizado no "Horto Botânico Geonoma", o jardim abriga o escritório Rodolfo Geiser Paisagismo e Meio Ambiente, onde trabalha a arquiteta paisagista Christiane Ribeiro. "Quando começamos a trabalhar com esse local, só havia quatro grandes eucaliptos. O que se vê hoje fomos nós que formamos, das árvores ao sub-bosque, há 14 anos", diz.

1. Iris japonica (Crested iris)
2. Dietes bicolor
3. Grama-preta (Ophiopogum japonicum)

Dentre as plantas, destaque para a grama- preta (Ophiopogon japonicus), utilizada como forração; moréia creme (Dietes sp); liquidambar (Liquidambar sp); mulungu (Erythrina verna), dona de flores avermelhadas que caem no meio do ano; e embaúba (Cecropia embauba).

Este outro projeto, também do escritório Rodolfo Geiser Paisagismo e Meio Ambiente, recebeu passeios que agregaram ainda mais valor ao bosque existente. Segundo Christiane, o proprietário, por ser artista plástico, queria se inspirar nas formas da natureza para criar suas peças. Assim, ela inseriu espécies mais decorativas com design diferenciado que também compõem texturas e cores, tanto com os arbustos como com as forrações, em especial as bromélias (Bromeliaceae sp). "No caso dos dois jardins, as plantas de sombra e meia-sombra são as ideais, pois há luminosidade adequada, filtrada pelas árvores, bem como um microambiente que tende a ter mais umidade e frescor, além da proteção dos ventos", revela a profissional. Ela cita a grama-preta, exótica e bastante útil para forração à sombra, e a samambaiuçus, uma espécie de samambaia (Pteridium aquilinum) grande que cresce similar a uma palmeira ou árvores nativas das matas. "A manutenção, nos dois casos, é bastante simples, necessitando apenas do corte da grama e pequenas limpezas."

1. Grama-preta (Ophiopogum japonicum)
2. Abacaxi-vermelho (Ananas bracteatus)

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