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| Deste ângulo pode-se ver a lavanderia no térreo e o banheiro da suíte do casal no pavimento superior. As toras de eucalipto sustentam o telhado principal e um pequeno beiral no primeiro andar. A sustentação vertical é feita com toras duplas parafusadas à peça horizontal. Telhas de barro, as chaminés de tijolo de demolição, a cor quente e terrosa nas paredes seguem o estilo rústico do projeto. |
Quem vê a casa de 313,52m², em Curitiba no Paraná, pode não imaginar o desafio que foi erguê-la tal qual queria o casal proprietário e suas duas crianças. Jovens publicitários com espírito aventureiro, que apreciam a natureza e vida despojada, contrataram os arquitetos Guto Biazzetto e Carolina Espezim para construir uma casa com cara de pousada. A madeira seria o elemento principal para dar a sensação de um ambiente rústico, aconchegante e integrado à natureza. A obra começou com um imprevisto. Quem conta é Guto Biazzetto: “Devido às grandes dimensões, as toras de eucalipto da varanda dos fundos - cada uma possuía 11m de comprimento - deveriam ser as primeiras a entrar no canteiro de obras para permanecerem próximas a posição de instalação. Após iniciadas as primeiras formas seria impossível manejá-las para os fundos. O terreno de 15 metros de largura tinha muros já levantados nas laterais pelos vizinhos. Devido a um problema particular, não foi possível recebêlas nessa fase. A solução adotada foi o seccionamento das peças nos pontos de encaixe verticais, fato que não prejudicou a estética e o que tinha sido planejado inicialmente.” A obra durou 10 meses.
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Do lado de fora já se tem um resumo da proposta do projeto. ultrapassado o muro frontal de tijolos de demolição pode-se notar o contraste entre a sobriedade da madeira de itaúba do portão, portas e janelas e o vermelho terroso da parte de alvenaria. essa madeira é considerada resistente a fungos e cupins. A área de circulação externa é coberta por bloquetes de concreto. o jogo de volumes e planos criam luz e sombras, conferindo movimento à fachada.
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A casa foi estruturada com concreto armado. O fechamento nas áreas úmidas, como cozinha, lavanderia e banheiros, foi de alvenaria. O restante da casa recebeu pranchas de madeira com encaixe macho-e-fêmea em “sanduíche”, ou seja, duas paredes de madeira com um montante interno de forma a controlar o conforto térmico interno. As vigas e pilares foram revestidos de toras de eucaliptos, que só possuem função estrutural nas varandas e telhado. Todas as portas e janelas são de madeira maciça. Segundo o arquiteto, a obra teve três fases. Primeiro foi feita toda a parte de concreto armado e alvenaria. “Todo o esqueleto foi levantado primeiro, diferente das obras de alvenaria comum, quando se erguem antes os tijolos para economizar nas formas das vigas e pilares”, explica Biazzetto. Depois de pronta a estrutura foi fechada as áreas úmidas com tijolos. A partir daí foram executadas as paredes de madeira, em paralelo com as instalações elétricas que deveriam ser feitas antes do fechamento das tábuas. Só então foi feito o revestimento da estrutura, das quinas, ângulos, com as toras de eucalipto - com cerca de duas toneladas - até o nível do telhado. Casa erguida, as soluções de revestimentos, texturas, materiais e mobiliário vieram como uma conseqüência simples do conceito preestabelecido. “A arquitetura é de tal forma desenvolvida que não existe separação entre interiores e estrutura, pois uma coisa é a outra”, define o profissional, complementando: “Todas as escolhas foram baseadas no conceito da morada, uma casa-pousada rústica, aconchegante e, sobretudo, alegre. Por isso, o contraste entre as cores das paredes de alvenaria e da madeira. Todos os ambientes foram trabalhados com a iluminação dimerizada para criar uma ambientação específica a cada situação.” No térreo, com 127,06m², a cozinha semi-aberta se integra com as salas de estar, jantar e churrasqueira. No mesmo ambiente, um desnível de quatro degraus sob a escada de madeiras com cordas de navio nos corrimãos fica uma adega. “Todo ambiente tem um clima de aconchego, acentuados por dois pontos onde o elemento fogo é protagonista: em uma extremidade a churrasqueira e na outra a lareira, ambas feitas de tijolos de demolição”, traduz o arquiteto. Na parte íntima da casa, há uma sala de estar e um escritório, no ático de 60,70m², e três quartos nos 125,76m² do piso superior. Guto Biazzetto acrescenta que a madeira, apesar de considerada cara, não encarece a obra, já que não requer um acabamento posterior. Após a instalação já está pronta. Mas faz um alerta: “Por ser um material natural não é recomendado a quem não está disposto a conviver com suas alterações físicas, conseqüências do tempo e do clima. Também não é recomendável para regiões onde a incidência de insetos que se alimentam dela - como cupins - seja muito elevada. E principalmente, não se deve utilizá-la quando a origem não é ambientalmente correta. Deve-se ter a consciência da não extração abusiva do meio ambiente.”
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"A madeira remete à sensação de rústico, natural, aconchego. Por ser um material natural, vivo, não é recomendado a quem não está disposto a conviver com suas alterações físicas, conseqüências do tempo e do clima" |
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